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Ricardo EsperCISO · CYBER
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PrivacidadeSegurança da Informação

Este site não mede você — e você pode conferir

Este site não usa cookie, analytics, pixel, fonte remota nem embed de terceiro. Como a decisão foi implementada: CSP sem origem externa, componente de analytics removido e um teste que quebra o build se um terceiro voltar. E por que intenção declarada não é controle.

Este site não sabe que você está aqui.

Não é uma figura de linguagem nem uma promessa de política de privacidade. É uma propriedade do que o seu navegador acabou de receber, e você pode conferir sem confiar em mim:

curl -sI https://www.ricardoesper.com.br/pt-BR | grep -i "set-cookie\|content-security-policy"

Não há Set-Cookie. E a política de segurança de conteúdo que volta não autoriza um único domínio de terceiro.

O que isso significa na prática

Quando você abre uma página comum na web, o seu navegador não fala só com o site. Ele fala com o Google Analytics, com o Tag Manager, com um pixel do Facebook, com o Insight Tag do LinkedIn, com a CDN de fontes do Google — cada um recebendo o seu IP, o seu user agent, a página que você abriu, de onde você veio e, com cookie, uma identidade que atravessa sessões.

Aqui não acontece nada disso:

| | | |---|---| | Cookies | nenhum, em nenhuma rota pública | | Analytics | nenhum. Sem GA4, sem pixel, sem tag manager | | Fontes | Montserrat servida deste domínio, baixada no momento do build | | Embeds | nenhum iframe, em página alguma | | Imagens | todas deste domínio, nenhuma de terceiro | | Conexões de saída | connect-src 'self' — o navegador não abre conexão para lugar nenhum além daqui |

Eu não sei quantas pessoas leram este texto. Não sei de onde vieram, quanto tempo ficaram, nem se chegaram ao fim. Essa informação não existe em lugar nenhum, porque nunca foi coletada.

Por que abrir mão da métrica

A resposta honesta é que eu ganho pouco e você paga caro.

O que eu ganharia é um gráfico. O que você pagaria é aparecer num banco de dados que não é meu, sobre o qual eu não tenho controle, com retenção que eu não defino, sujeito a mudanças de termos que eu não negocio. A troca não fecha.

Há também um argumento que me incomoda mais. Escrevo aqui sobre superfície de ataque, sobre não misturar CMS com produção, sobre dispositivo de automação que fala com a nuvem do fabricante sem precisar. Carregar Google Analytics enquanto se escreve isso é uma incoerência que o leitor tem todo o direito de cobrar.

E existe o custo direto: cada script de terceiro é código de outra pessoa executando no seu navegador com o meu domínio na barra de endereços. Isso é superfície de ataque — a minha, e por tabela a sua. A maneira mais barata de proteger um ativo é não tê-lo.

Intenção não é garantia

Vale contar a parte que não é bonita, porque ela é a lição.

Até ontem, esta afirmação era verdadeira por acidente. Nenhum script de terceiro carregava — isso eu havia medido. Mas o código tinha um componente de analytics que carregaria o GA4 assim que alguém preenchesse uma variável de ambiente, e a política de segurança autorizava explicitamente googletagmanager.com, google-analytics.com e a CDN de fontes do Google.

Ou seja: a garantia dependia de ninguém preencher um .env. Isso não é garantia, é sorte com data de validade.

O que fiz foi transformar a intenção em restrição:

  1. Removi o componente de analytics. Não existe mais o caminho.
  2. Apertei a política até não sobrar nenhum domínio externo. Se um script de terceiro entrar por descuido — meu ou de qualquer ferramenta —, o navegador do leitor bloqueia. A proteção não depende de eu lembrar.
  3. Escrevi um teste que quebra o build se um terceiro voltar, pela política ou por import. São 27 asserções. Rodei primeiro contra o código antigo: 11 falharam. Um teste que passa contra o problema não é teste, é decoração.

Esse é o padrão que eu defendo em qualquer ambiente, e vale a pena dizê-lo fora do contexto de um blog pessoal: controle que depende de disciplina humana contínua não é controle. Ele funciona até a primeira sexta-feira à noite. Controle é aquilo que continua valendo quando todo mundo esquece — a regra que nega por padrão, o teste que quebra o pipeline, a política que o navegador aplica sem pedir licença.

O que eu perco, explicitamente

Não vou fingir que a decisão é grátis.

Não tenho dados de audiência. Não sei qual post funcionou. Não consigo medir se uma mudança de título melhorou alguma coisa. Trabalho às cegas em tudo que é otimização de conteúdo, e isso é uma desvantagem real.

Aceito, por dois motivos. Primeiro, o retorno de escrever aqui não é tráfego — é o texto existir, ser encontrável e ser citável quando alguém procurar o assunto ou o meu nome. Segundo, existem sinais que não custam a privacidade de ninguém: o que as pessoas me escrevem, o que me perguntam em palestra, o que aparece na busca. São sinais piores em resolução e melhores em qualidade.

Se algum dia eu precisar de número, há um caminho que não cobra nada do leitor: contar requisições no meu próprio servidor, sem cookie, sem identificador, sem terceiro, sem retenção. Se eu fizer isso, escrevo aqui dizendo exatamente o que passei a contar.

Verifique

Não acredite em mim. Abra as ferramentas de desenvolvedor do seu navegador, vá até a aba de rede e recarregue esta página. Toda requisição que você vir sai para ricardoesper.com.br. Depois olhe a aba de armazenamento: não há cookie.

Ou rode o curl do começo do texto.

O ponto de uma afirmação de privacidade é ser conferiível. Se ela só pode ser aceita na palavra de quem escreveu, ela não vale nada — nem aqui, nem no fornecedor que jura que os seus dados estão seguros.